segunda-feira, dezembro 22nd, 2008 | Author: douglas

Aos excluídos da sociedade,
Aos criminalizados da nação,
Aos que empregam a vida na ação
de transformação da realidade

A todo aquele que ara e lavra
o solo da vida e da resitência
criando sonhos e sobrevivência
armado somente de sua palavra

Que nunca abrande a força da esperança,
a crença no futuro das crianças,
o sonho de travar sua própria guerra

E que viva a rebelde dignidade
a força da justiça e da verdade
e, assim, o Movimento dos Sem Terra.

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sábado, dezembro 06th, 2008 | Author: douglas

O homem que vive em sociedade, ainda mais uma sociedade como esta em que nos localizamos, sofre uma grande carga de pressões e influências. É fato – pelo menos para mim – que a construção de um sujeito se dá histórica e socialmente, ou seja, somos, de uma forma ou de outra, condicionado a ser o que somos, a gostar do que gostamos e também a pensar no que pensamos. Analisando sob esta ótica, nota-se que falar em liberdade é algo um tanto quanto ilusório e até mesmo “impalpável”.

De qualquer maneira, mesmo sob influências tão pesadas como família, religião, escola, televisão e publicidade, em algum rincão de nossa consciência, acabamos formando o que somos, nossa individualidade, nossas crenças, opiniões, enfim, aquilo que nos define enquanto indivíduos. Quando nos vemos fora daquilo que nos é comum, daquilo que fez parte de nossa construção individual, sentimo-nos como estranhos e, devido às condições objetivas que nos levam a tal local – como as necessidades materiais – fica impossível resgatar, dentro de nós, aquilo que fomos um dia, e começamos então a nos desenraizar.

Assim como uma árvore que ao perder suas raízes, tem seus dias contados, também nós, seres humanos, ficamos com nossa identidade a mercê daquilo que nos conecta a nós mesmos. Se perdemos este fio condutor, este cordão umbilical entre o que somos hoje e o que fomos anteriormente, estamos fadados a fenecer.

A situação exposta anteriormente fica clara no Ocidente ao se analisar o processo de colonização engendrado pelas grandes potências européias durante a Idade Média e pelos Estados Unidos da América no século XX. Os povos originários da América, tendo violados seus mínimos direitos, sendo aculturados, catequizados, cooptados pelos conquistadores a traírem suas tradições, são um bom exemplo desta triste constatação. Durante mais de 500 anos de um etnocídio declarado e diversas humilhações, a luta indígena se mescla às demais “minorias na hora de se calar e maiorias na hora de sofrer”, como bem frisou o Subcomandante Marcos, e a palavra resistência está mais viva do que nunca, como tradução direta da vida destes povos, diferentes em sua origem e até mesmo em seus anseios, mais ligados pelo desejo de mudança, de reconhecimento, de igualdade e de inclusão.

Contudo, não se deve confundir inclusão com unidade. Faz-se necessário a construção de um mundo que possa ser ao mesmo tempo, como frisam o tempo todo os zapatistas mexicanos, uno e diverso e onde caibam muitos mundos. Tratando a todos como iguais que somos, porém aceitando e respeitando nossas diferenças, trabalhando para que elas não sejam empecilhos à vida comum que o homem aprendeu a levar em socidade. Enfim, é preciso aprender a olhar ao nosso redor, aprender com nossa realidade, respeitar a realidade alheia e sempre lutar pela mudança, acreditar na mudança, pois, citando o Subcomandante zapatista mais uma vez, “que grande mudança não foi chamada de utopia na véspera?”.

terça-feira, dezembro 02nd, 2008 | Author: douglas

Se falta a terra, existe a esperança
Se cansam as pernas, o coração não cansa
Se a boca se fecha, a luta não arrefece
não se freia, não se pára, não se esquece

Há muito o que fazer
por percorrer há um longo caminho
mas, quando o homem é coletivo
jamais ele luta sozinho.

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domingo, novembro 23rd, 2008 | Author: douglas

Desde 1992, todos os anos, um grupo de pessoas resolve realizar uma ação silenciosa contra o capitalismo e a sociedade de consumo, incentivando que, pelo menos por um dia, as pessoas deixem de fazer compras de qualquer espécie. É o Buy Nothing Day, traduzido livremente para Dia de Não Comprar Nada.

Iniciado na cidade de Vancouver, Canadá, por ativistas da Adbusters (uma organização anticonsumista sem fins lucrativos), este dia sem compras deveria servir para que a sociedade repensasse seus valores quando ao consumo desenfreado e irresponsável. A partir de 1997, foi instituída como “data oficial” do Buy Nothing Day a primeira sexta-feira depois do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, que segundo estimativas está entre as 10 datas que mais movimentam o comércio daquele país. Segundo a nota de divulgação para imprensa de 2006, esta movimentação acontece atualmente em 65 países diferentes.

Neste ano, os dias de não comprar nada serão o dia 28/11 (sexta-feira) nos EUA e 29/11 (sábado) no restante do mundo. Obviamente, estas são datas para que se reflita profundamente sobre o consumismo, o capitalismo e todas as mazelas sociais e psicológicas geradas por um sistema que coloca as pessoas para correr atrás de bens materiais e aparências em detrimento do bem comum, um sistema que em poucos dias levanta uma quantidade enorme de dinheiro para salvar o sistema bancário, mas é incapaz de acabar com a fome e com a miséria, pelo contrário, sustenta-se justamente sobre estas e tantas outras doenças sociais.

“O homem é rico em proporção ao número de coisas de que pode prescindir” Henry Thoreau.

sábado, novembro 15th, 2008 | Author: douglas

Bem, de tempos em tempos eu pretendo escrever aqui sobre alguns filmes que eu vi e que me chamaram a atenção por determinados motivos e que eu acho que vale a pena ser visto, pois causou em mim uma certa reflexão sobre minha existência, sobre meus pensamentos, sobre minha visão de mundo e, principalmente, sobre como eu me relaciono com aquilo que convivo.

Na Natureza Selvagem (Into The Wild, EUA, 2007)

Para iniciar esta “série”, vou falar de um filme que vi recentemente, indicação de meu camarada Mário. O filme é Na Natureza Selvagem (Into the Wild, EUA, 2007) e é dirigido por Sean Penn e baseado no livro homônimo de Jon Krakauer. Na película, a história de Christopher McCandless (Emile Hirsch), um garoto que aos 20 anos de idade, após se formar pela Universidade de Atlanta em 1990, doa o restante de seu fundo estudantil – US$24.000 – e desaparece sem avisar a família.

Inspirado pelas leituras de Jack London, Leon Tolstói e Henry Thoreau, o jovem parte em busca de refúgio de uma sociedade hipócrita e que vive de aparências, parte em busca de autoconhecimento, abdicando de sua vida regrada em nome de uma aventura… Depois de dois anos repleto de descobertas, ele chega a uma profunda e reconfortante conclusão e a um final heroicamente trágico.

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quarta-feira, abril 16th, 2008 | Author: douglas

A Democracia é uma grande piada. Em sua gênese, o “governo do povo” já excluía os escravos da participação política e demorou muito para que a base de todas as sociedades, os trabalhadores, começasse a ser incluída nos debates políticos. Mas como as classes dominantes são dominantes porque, além de deterem o poder econômico, são espertas, viram que esse papo de governo do povo não servia muito para eles, porque uma comunidade onde todos recebem tratamento e oportunidades iguais acabaria eliminando algumas possibilidades de lhes conferirem essa denominação - dominante. Então, algumas sociedades resolveram extirpar essa tal Democracia, e a bota, citada por George Orwell na época de “1984″, volta e meia aparecia por ai. Não que Orwell tivesse dons proféticos, pelo contrário: ele sabia olhar o passado para projetar o futuro, e com certeza a bota já esmagara, até então, milhões de faces humanas e no futuro as coisas poderiam piorar. E não foi muito diferente disso…

Quando os homens do poder viram que a mão-de-ferro e a “bota esmagadora” já não eram politicamente corretas, pois se desenvolvera em parcela da população um senso de direito humano que unia todos os desejos de que não se maltratasse seres humanos, seja lá como esses maltratos ocorressem, apesar de poucos tirarem as costas do sofá. Após esse estalo de que as práticas estavam ficando ultrapassadas, surgiu uma nova jogada do poder: violentar a Democracia! Agora era assim, a pobre e doce Democracia, fora de vez por todas raptada pelo poder, que a corrompeu em todos os sentidos e dava a ela um sobrenome - Representativa - bastante de acordo com a função do Governo e do Poder.

Algumas vezes, um grupo enxergava uma chance de recuperar a real Democracia, a que agora chamavam “Participativa”, pois chamava todos a participarem das decisões, e o confronto com a classe dominante e com o Poder era inevitável. Alguns levaram o confronto até o final e sucumbiram quando conheceram o Poder. Outros, ao contrário, chegaram ao Poder e viram o quanto ele é nocivo à alma humana, abdicaram desta companhia perversa e seguiram o seu rumo. Outros, mais espertos talvez, nem almejam conhece-lo intimamente, preferem que todos o conheçam e façam o uso da parte que lhes cabe, pois acreditam que só assim, quando a maioria, quando todos estiverem exercendo o Poder, é que não haverá mais a divisão entre Representativa e Participativa, e a Democracia voltará a ser uma só, voltará a ser o poder do povo.

segunda-feira, março 31st, 2008 | Author: douglas

O sol surge
e com ele se levantam
as mãos e as vozes
daqueles que se cansam
do trabalho que é explorado
e do pão que é mirrado
A dignidade rebelde
que nunca falha
contra os poderosos covardes
que escondem a verdade
desse mundo de batalhas:
ou se luta pelo pão
ou se engana a fome
com as migalhas.

segunda-feira, março 31st, 2008 | Author: douglas

Seis da manhã
ônibus lotado
a saliva seu único alimento
ocuparam-se todos os assentos
vai então de pé, apertado
no bolso o almoço
mistura fria, velha, já sem gosto
de seu futuro em sua mente um esboço
no meio da multidão
Mais um operário sem rosto.
as maquinas ganham vida
impulsionadas pelo seu suor
sua mente açoitada pelo patrão
o capitalista que não sente dó
o sinal indica intervalo
faltam agora só mais 6
apenas alguns minutos
e tudo começa outra vez
chaves batendo, faíscas voando
o tempo passando, sonhos acabando
em troca da sua vida, ele enriqueceu um homem
o prêmio por seu sonho dilacerado?
um cartão, uns papeis, e então, um nome.

 

vidas acabadas à beira da exploração
colonialismo na nova era disfarçado de globalização
mentes violentadas pelas palavras do patrão
precisamos de bem mais que uma revolução..

sábado, dezembro 15th, 2007 | Author: douglas

As festividades que celebram o nascimento de Jesus de Nazaré estão começando. Já é possível ver o sorriso mais presente no rosto das pessoas e as luzes enfeitando as casas. A movimentação nas lojas, a maior quantidade de carnes nas prateleiras dos supermercados, simulações de neve e alimentos do frio (nozes) em pleno verão tropical. É um pouco estranho.. Mas é estranho mesmo ver como as pessoas se comportam, como o tempo influencia, as pessoas vão vendo os dias passarem, contando no calendário, esperando a próxima semana, o próximo ano: novas promessas, novas hipocrisias, ou também as velhas, já que nos preocupamos mais em dar e receber presentes materiais do que em colocar a cabeça pra pensar, cuidar mais da nossa própria vida ao invés de jogá-la fora em troca da própria sobrevivência.

Quem ganha no Natal são as empresas de cartões de créditos, as instituições bancárias, o comércio, a indústria. Vi na TV (pois é..) ontem que o consumo aumentou no Brasil (6%) e isso é bom! É bom que as pessoas consumam 6% mais do que consumiam no mesmo período do ano passado! Como pode isso ser bom? Nessas alturas da vida não paramos para ler rótulos dos produtos, para reaproveitar, reutilizar, reciclar nosso lixo que seja, tudo se torna descartável. Trocam mais de celular do que de penteado (e olha que a variadade de cabelos que os salões de beleza oferecem hoje em dia são enormes!), carros desvalorizam se ficam mais de dois anos com o mesmo usuário, e então foda-se a natureza, foda-se o espaço físico que vai ficando cada vez menor, a vida cada vez mais caótica! Não sei aonde vai parar essa classe média que se masturba com propagandas de carros, roupas, jóias e perfumes. De que adianta essa montoeira de perfumes e adornos se os olhos não brilham com as coisas simples, se a alma exala o odor da sua frivolidade…

Thoreau disse que se andassemos nús não se distinguiria o pobre do nobre, e não temeríamos alguém simplesmente porque ela se veste com roupas que julgamos pertencentes a certa parcela criminalizada. Enfim, os olhos são capazes de enxergar bem mais além do que se vê, é só querer.

quinta-feira, novembro 01st, 2007 | Author: douglas

Inclusive o “país do futebol” se perdeu em seu próprio presente. Seguindo a onda neoliberal que assolou o ocidente na década de noventa, onde a solução de todos os males estaria na venda de tudo para o capital privado, na entrega da esperança à especulação, no leilão de empresas públicas e do caráter dos governantes, este país localizado quase que em sua totalidade no hemisfério meridional - que é uma decisão política, a de quem ficaria em cima e quem ficaria embaixo - acabou por ser tomado pela doença do consumismo. Entulhos que não precisamos lotam nossos cômodos com a desculpa de torná-los mais confortáveis, mas quanto mais adquirimos essas necessidades na sessão da tarde menos tempo temos para desfrutar destas soluções versateis para a vida moderna. Carros mais rápidos e jóias mais brilhantes, sapatos e mais sapatos, roupas caras e perfumes que tentam esconder o cheiro podre que exala de uma consciência vazia. De que adianta roupas novas se somos incapazes de modificarmos nossos conceitos, se não nos permitimos nos livrar daquelas correntes que nos prendem a esse mundo corporativo de sentimentos artificiais. Sabores e aromas artificiais, seres humanos artificiais e sentimentos artificiais. A existência plástica tomou conta da nossa juventude, foi ensinada por nossos pais e professores e nós quase não nos damos ao luxo de questionar. Tentamos compensar nossa falta de ânimo e nosso inconformismo com o patamar que nos encotramos gastando dinheiro e financiando novas frentes de batalha do consumismo contra as cabeças que ainda pensam. Consciência está em extinção. Somos o fruto de tudo o que nos trouxe até aqui, mas nos eximimos da nossa responsabilidade, deixamos o mundo se destruir enquanto aceleramos nossos carros, com vidro elétrico e ar condicionado, sem pensar que não seremos os últimos a pisarem sobre a face da Terra.

Somos consumidos pelo trabalho, pela busca de algo que não existe, que mata mais do que bala de carabina. Somos puritanos que se excitam na igreja mas disfarçam o volume nas calças se curvando embaixo da cruz. É difícil realizar isso, mas a realidade quando toca é sempre dura: quando olhamos no espelho e nos vemos tão próximos daquilo que criticamos. Talvez seja mais fácil fechar os olhos, tentar relaxar e gozar mais uma vez, vestir as calças e sair andando como se nada tivesse acontecendo, afinal a bomba tá ai e vai explodir..

Lembre-se do que um personagem esquizofrênico disse em uma grande obra de ficção (nem tão ficção!) disse: somos a merda ambulante do mundo e o destino de todos nós é o mesmo, virar composto orgânico. Portanto, trabalhe menos, reclame menos, durma menos.. Respire mais, brigue, grite palavrões, sorria, resista e pare de tentar ser perfeito. “Nada é estático. Tudo evolui.”